sexta-feira, 4 de agosto de 2017

[Resenha - Universo dos Livros] Para depois que eu partir

Postado por Ju às 16:00
Título: Para depois que eu partir
Autores: Heather McManamy | William Croyle
Tradução: Jacqueline Valpassos
Editora: Universo dos Livros
Número de páginas: 192
Skoob


Com trinta e cinco anos, após ser diagnosticada com câncer de mama em estágio terminal, Heather McManamy sentiu como se sua vida estivesse desmoronando. Sua rotina virou de cabeça para baixo e foi substituída por várias cirurgias e dezenas de sessões de quimioterapia que poderiam estender um pouco mais sua vida, mas não impedir a morte iminente. Com espírito vivaz e uma nova perspectiva, Heather começou a experimentar cada dia como se fosse o último. Ela aprendeu a aproveitar cada momento, apreciar a beleza ao seu redor e agradecer por suas bênçãos. Ponderou também a respeito da jornada futura de sua filha sem a mãe e, com dignidade, fez os preparativos para isso. Heather começou a escrever mensagens comemorativas para a filha, Brianna, com quatro anos na época. Mensagens para o seu primeiro dia de escola, para o seu aniversário de dezesseis anos, para o dia de seu casamento. Mensagens para quando as coisas estivessem indo bem e para quando não estivessem. Mensagens para quando Brianna precisasse de sua mãe – fosse dali a cinco ou a cinquenta anos – e Heather já não estivesse mais lá para lhe dar apoio. Para depois que eu partir é a história do poderoso amor de uma mãe por sua filhinha. E as incomparáveis experiências de Heather, permeadas de humor e elegância, são um lembrete para que não tomemos como certo e seguro um dia sequer.


Para depois que eu partir foi escrito nos últimos dias de vida de Heather, uma paciente terminal de câncer de mama no estágio IV. Fiquei chocada ao ler, no pequeno texto sobre a autora colocado no fim do livro, que ela faleceu poucas horas depois de entregar o manuscrito à editora... Impressionante o quanto um objetivo pode realmente manter uma pessoa viva.

Heather diz em sua obra que algumas pessoas achavam uma fraqueza ela se apegar à esperança, sabendo que morreria de qualquer maneira. A verdade é que ela estava bem consciente disso, mas nem por isso deixou de ter esperança de alcançar pequenas metas de realização pessoal. Vivia cada dia como se fosse uma enorme benção alcançada, um presente de que ela não podia desperdiçar nem um segundo. E nossos dias não são exatamente isso? Ela pede a seus leitores que não aguardem o anúncio do fim de suas vidas para darem o devido valor ao tempo que lhes é concedido.

Jim Valvano, que morreu de câncer em 1993, disse (...) que há três sensações que todos nós devemos praticar todos os dias: 'A número um é rir. (...) A número dois é pensar. Você deve gastar algum tempo pensando. E a número três é que você deve levar suas emoções às lágrimas, até de felicidade ou alegria. (...) Se você rir, pensar e chorar, será um dia completo. (...) Faça isso sete dias por semana, e você terá algo especial.'

Preciso dizer que eu esperava algo completamente diferente desse livro. Achei que o foco fosse ser mensagens infinitas da Heather para sua filhinha, Brianna, que ela começou a escrever quando soube que não estaria presente em momentos importantíssimos da vida dela, já que não teria oportunidade de vê-la crescer. Mas não foi isso o que encontrei.

Antes do início de cada capítulo, temos ilustrações que nos revelam o texto de pequenos cartões escritos pela autora. Mas o conteúdo dos capítulos nos permite conhecer toda a trajetória de Heather desde a descoberta de sua doença. Ela é bem direta, e com isso consegue nos ensinar muita coisa. Não esconde nada, não romantiza. Apenas nos apresenta as coisas como são.

Em determinada parte de seu texto, Heather nos fala sobre a campanha de prevenção ao câncer de mama. Diz que não tinha presentes em sua vida nenhum dos fatores de risco, mas mesmo assim descobriu a doença. Fez uma mastectomia dupla, que tecnicamente a teria livrado do câncer. Depois, preparou-se para um ano de quimioterapia. Em certo momento, os medicamentos pararam de funcionar. O câncer começou a se espalhar. E ela recebeu o diagnóstico de terminal.

Então, diz que a campanha não a representa, nem a outras doentes que precisam encarar a metástase. Acredita que a conscientização tenha seu valor, mas deixa claro que preferia que os recursos fossem direcionados para a busca da cura. Porque câncer de mama não é uma doença que sempre tem um final feliz. Ela mata bastante gente e há esse risco mesmo que seja descoberta cedo.

Heather nos mostra que as pessoas podem estar extremamente bem intencionadas, mas nem por isso ajudam com suas ações a pessoa doente ou seus familiares. Palpites e ajuda não solicitados podem trazer ainda mais dor, mesmo que isso nem passe pela cabeça de quem os oferece. Ela dá uma dica clara: antes de fazer algo por uma pessoa que está morrendo, pergunte a ela se gostaria daquilo. 

Embora não tenha sido uma leitura emocionante como imaginei que seria, gostei bastante do livro. Atualmente tenho duas amigas que lutam contra o câncer, e acredito que o que li vai me ajudar bastante a lidar com o que elas precisam enfrentar a cada dia. Indico para qualquer pessoa, é uma obra que nos coloca para refletir.

7 comentários:

  1. Oii Ju, eu pensei também que seria um livro de nos fazer chorar loucamente mesmo, a doença é algo muito triste, já tive alguns casos na família e sei como dói, acho que não daria uma chance, quero fugir de tudo que envolva esse câncer. Estarei rezando para que suas amigas melhorem.
    Beijinhos

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  2. Oi!

    Uma temática bem triste e fiquei embasbacada dela morrer após escrever a obra. Enfim, esse tema me deixa bem preocupada e eu acho que deveria ter mais pesquisas sobre o câncer em si, pois é uma das doenças mais cruéis. Enfim, obrigada por compartilhar suas impressões comigo. Beijos!

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  3. Oi,
    Desconhecia o livro e autora.
    Fiquei emocionada com sua resenha, as coisas que aconteceram com a autora. Nunca achei esperança uma fraqueza e sim coragem, pois é fácil desistir e se entregar, difícil e manter a cabeça erguida e acreditar que tudo vai melhorar.
    Amei a resenha.
    Beijos

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  4. Oi Ju, j´fiquei chocada com a informação inicial sobre a morte dela e a entrega do manuscrito. Só achei uma pena que não foi tão emocionante assim. Mas por tudo o que você falou, vou dar uma olhada no livro sim.
    Bjs, Rose.

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  5. Olá, tudo bem?
    Confesso que passei longe desse livro nas livrarias porque morro de medo de histórias tristes. Sou muito chorona e emocional. Fiquei surpresa quando você disse que não é uma obra ão emocionante assim, pois já estava prevendo lagrimas.
    Depois da sua resenha talvez eu dê uma chance a essa leitura sim.
    Obrigada pelos esclarecimentos
    Beijos

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  6. Pelo que senti, é uma história sobre uma mulher de coragem ao encarar o inevitável. E que deixou acima de tudo o amor como herança. No momento, não é o tipo de livro que estou procurando, até por ter passado por uma perda da qual ainda não me recuperei, mas é uma dica que deixarei guardada para uma época mais oportuna.

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  7. Oie amore,

    Que capa linda é essa... ai, me empolgo quando vejo uma capa assim, que me instiga logo de cara.
    Em relação a história, parece ser uma que vou curtir bastante...
    Mesmo você mencionando que esperava algo diferente, acho que vou dar uma chance ao livro, quando der.
    Dica anotada!

    Beijokas!

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