domingo, 13 de agosto de 2017

[Resenha - Rocco] Órfã #8

Postado por Ju às 16:00
Título: Órfã #8
Autora: Kim van Alkemade
Tradução: Edmundo Barreiros
Editora: Rocco
Número de páginas: 336

Em 1919, Rachel Rabinowitz e seu irmão são levados para um orfanato em Nova York, após perderem a mãe e serem abandonados pelo pai, fugitivo da polícia. Separada do irmão e mantida em quarentena após contrair uma doença, Rachel logo se torna cobaia da Dra. Mildred Solomon, que conduz uma série de pesquisas sobre tratamentos com raio X em crianças órfãs, e é submetida a experimentos de eficácia duvidosa e efeitos colaterais desconhecidos. Mais de três décadas depois, os caminhos de Rachel e da Dra. Solomon se cruzam novamente, desta vez no Lar Hebraico para Idosos, onde Mildred, agora uma senhora debilitada, está internada sob os cuidados da enfermeira lésbica Rachel. Inspirada pela história do avô, que cresceu num orfanato judaico em Manhattan, e em pesquisas realizadas nos arquivos do Museu Judaico, a autora construiu um romance histórico repleto de drama, tensão e questionamentos éticos.

A história de Órfã #8 é dividida entre dois momentos da vida de Rachel Rabinowitz: parte é contada em terceira pessoa e retrata sua infância (começando mais ou menos quando foi parar em um orfanato) e sua adolescência; e parte é narrada em primeira pessoa e nos mostra a protagonista já adulta, ainda sem poder assumir para o mundo quem realmente é e tendo que encarar um momento muito difícil, em que o passado ressurge de forma um tanto quanto irônica em sua vida.

Nas primeiras páginas da obra não tem como a gente não se apaixonar pela Rachel, que é uma garotinha bem frágil de apenas 4 anos. Vive com a família tendo basicamente o essencial para sobreviver, mas se sentindo extremamente feliz. Até que uma tragédia marca seu destino, e faz com que ela e o irmão precisem se adaptar a uma rotina completamente diferente. E o pior é que nem podem enfrentá-la juntos.

Quando muda o capítulo, muda a época da vida da protagonista. Aos 40 anos, ela é uma enfermeira que trabalha em um lar de idosos. Mas quando chega uma nova paciente que lhe dá a impressão de ser muito familiar, as memórias do tempo que passou no orfanato, que ela achava que nunca recuperaria, começam a voltar. E lhe revelam uma história horrível de sofrimento gratuito e experiências cruéis a que foi submetida, que aparentemente ainda influenciam em seu presente.

Adoro capítulos que se alternam entre passado e presente, apesar da agonia que eles me proporcionam. Porque claro que a autora interrompia a narrativa em partes que me deixavam mais que curiosa. Um dos assuntos abordados na obra são experiências médicas feitas com judeus - mas nada a ver com os nazistas, as experiências aqui ocorrem em um período anterior, feitas pelos próprios judeus para entender melhor o organismo de crianças.

Não sei em que parte do enredo temi mais pela Rachel - quando ela era uma menininha incapaz de se defender ou de ao menos entender o que estava acontecendo, ou quando adulta, sem saber como enfrentar ou dividir com as pessoas os acontecimentos de sua vida. Fora que fiquei ainda com mais medo dela perder sua essência, porque a protagonista se depara com um enorme dilema moral.

Só fiquei triste com o fim da história. É uma coisa minha, mas tenho sérios problemas com finais abertos. Por mais que o que acontece tenha sido insinuado, o enredo não tem um fechamento completo. Eu me recusava a acreditar que as páginas estavam chegando ao fim e nada ia se definir. O lado positivo é que provavelmente dessa forma o leitor pode optar por ter esperança de um final feliz, o que não sei se seria possível se a narrativa tivesse continuado. Foi uma história que me prendeu todo o tempo, que foi inspirada em alguns fatos reais e que vale a pena conhecer, mas preparem-se para construir o final em sua mente para que o fato dele não ser bem delineado não cause frustrações.

6 comentários:

  1. Pena que você ficou triste com o final da história, também não gosto de finais abertos e capítulos entre passado e presente. Acho essa edição muito bonita e a história em si parece ser demais.

    Beijos!

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  2. Olá!! :)

    Eu confesso que também não gosto nada de finais abertos, tenho sérios problemas com isso também! ahah

    Que pena que isso aconteceu. Eu ainda nao conhecia o livro e também devo dizer que não fiquei muito curioso...

    Boas leituras!! ;)
    no-conforto-dos-livros.webnode.com

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  3. Oi! As vezes até gosto de um desfecho aberto, mas isso depende muito da leitura. Quanto à premissa achei bem interessante, ainda mais por ser inspirada em casos reais. Fiquei curiosa pra saber como a enfermeira irá tratar a paciente depois de tudo que passou. A capa também é algo que me agradou muito. Dica anotada! Beijo!

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  4. Olá, tudo bem?
    Não conhecia o livro, mas fiquei intrigada com a premissa. Parece ser um livro intenso e uma história fascinante. Sobre o final em aberto, tenho esse mesmo receio que você, assim como com finais felizes, preciso de livros com finais felizes.
    Amei ler as suas impressões, vou pesquisar um pouco mais a obra.
    Beijos

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  5. Oi Ju, eu te entendo, pois também não só muito fã de finais abertos. Claro que já peguei alguns livros assim que o autor conseguiu me deixar satisfeita, mas em geral eu não gosto.
    Bjs, Roe

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  6. Esta capa é tão intrigante. Fiquei super curiosa. E ao ler a resenha, achei a premissa muito interessante. Ainda não conhecia este livro, mas querooo. Haha
    Finais abertos quando bem colocado me agrada bastante. Espero curtir. Abraços.

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