sexta-feira, 16 de junho de 2017

[Resenha - Companhia das Letras] Nossas Noites

Postado por Ju às 20:00
Título: Nossas Noites
Autor: Kent Haruf
Tradução: Sonia Moreira
Número de páginas: 160

Em Holt, no Colorado, Addie Moore faz uma visita inesperada a seu vizinho, Louis Waters. Viúvos e septuagenários, os dois lidam diariamente com noites solitárias em suas grandes casas vazias. Addie propõe a Louis que ele passe a fazer companhia a ela ao cair da tarde para ter alguém com quem conversar antes de dormir. Embora surpreso com a iniciativa, Louis aceita o convite. Os vizinhos, no entanto, estranham a movimentação da rua, e não demoram a surgir boatos maldosos pela cidade. Aos poucos, os dois percebem que manter essa relação peculiar talvez não seja tão simples quanto parecia. Neste aclamado romance, Kent Haruf retrata com ternura e delicadeza o envelhecimento, as segundas chances e a emoção de redescobrir os pequenos prazeres da vida — que pode surpreender e ganhar um novo sentido mesmo quando parece ser tarde demais.

Addie Moore tem 70 anos, é viúva e tem um filho já casado que mora em outra cidade. Está cada vez mais difícil lidar com a solidão, então ela tem uma ideia e decide se arriscar. Vai até a casa de seu vizinho, Louis Waters, e lhe faz uma proposta: que ele vá eventualmente até a sua casa para dormir com ela. Não, ela não está falando de sexo, e sim de companhia. Quer alguém para conversar, quer sentir a presença de outra pessoa por perto. Ele decide ver no que vai dar, e assim eles começam a se aproximar. Mas nunca poderiam imaginar as consequências positivas e negativas de suas escolhas.

Esse livro chegou de surpresa há poucos dias, nunca tinha ouvido falar dele e achei que ainda levaria um tempo para pegá-lo para ler, mas a frase que vi na capa, "Absolutamente encantador", me fez passá-lo na frente do restante da fila. Minha última leitura tinha me destruído emocionalmente e achei que esta obra poderia ser exatamente o que eu estava precisando para me recuperar. Se eu estava certa? Bem, de certa forma sim.

Desde o início da leitura o encanto se instalou. A narrativa tem aquela delicadeza e aquela ternura que são difíceis de encontrar. É lindo ver como Addie e Louis passam a fazer parte da vida um do outro de uma forma essencial. Eles se respeitam e não se preocupam com o que os outros podem pensar a respeito do relacionamento que decidiram iniciar, mas claro que nem todo mundo acredita que tenham o direito de se envolver, por várias razões, inclusive a idade deles. 

E essa foi a parte do livro que não gostei, a parte em que personagens secundárias se veem no direito de julgar e de incomodar quem está no seu canto sendo feliz. Mas infelizmente isso é super verossímil, tem muita gente assim, que prefere cuidar da vida dos outros a se preocupar com a própria vida.

O texto desta obra é diferente. Não existem travessões nos diálogos e não, eles não foram substituídos por aspas. Simplesmente não existem mesmo. Ainda assim a leitura fluiu muito bem, isso não me causou nenhuma dificuldade; desde a primeira frase não tive dúvidas do que era narração, do que era diálogo, nem de quem estava falando em cada momento.

Não posso dizer que o final tenha me agradado, mas poderia ter sido pior... Queria que o autor tivesse sido mais legal, mas entendi o caminho que ele escolheu. Ele faleceu há alguns anos, mas deixou seis romances publicados, e quero muito conhecer suas outras obras. Apesar das coisas não terem terminado como eu queria, a leitura me proporcionou ótimos momentos, e me mostrou que não há hora mais certa para tomar as rédeas da própria vida nas mãos e ser feliz que o agora.

18 comentários:

  1. legal sua resenha
    parece uma história interessante
    louca pra saber esse final heim
    bjs

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  2. Olá, tudo bem. Amei a sinopse, sério. Ela deixa claro que não é um livro romântico, mas um manual de vida. Sua resenha foi de uma delicadeza ímpar, quero muito conhecer a obra. Andava meio desencantada com a Cia das Letras, meio sem vontade de conhecer as obras da editora, mas esse livro me parece ser "Absolutamente encantador".

    bjss

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  3. Olá, gostei muito da sua resenha, não conhecia essa obra, achei bem interessante. Vou procurar para ler, beijos!

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  4. Uma sinopse bem inovadora, mas acho que passaria raiva demais lendo o livro por conta dessas outras pessoas que se acham no direito de julgar o que não conhecem.
    Beijos
    Mari
    www.pequenosretalhos.com

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  5. Heiii, tudo bem?
    Tb não conhecia essa obra e a premissa me pareceu interessante. Imagino como seria triste viver sozinho e acho que a ideia de Addie de pedir uma ajuda mto corajosa. Acho que o que mais tem nessa vida é gente querendo dar palpites na vida dos outros, hehe…tb ficaria bem incomodada com esses personagens.
    Não sei se ia gostar de dialogos sem travessoes e aspas, me sinto confusa, mas ja que nao foi problema para vc, acha que seria válido tentar.
    Ótima dica.
    Beijos.

    Livros e SushiFacebookInstagramTwitter

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  6. Olá. Que diferente! Eu não gosto de romances, mas esse achei interessante pela questão da idade. E sim, infelizmente, o que mais existe é gente se achando no direito de julgar as pessoas e suas escolhas. Vou anotar aqui!

    Beijos.

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  7. Oiii tudo bem??

    Não conhecia o livro nem o autor e achei bem interessante. Nunca havia imaginado nada desse estilo, quanto aos personagens que julgam, eles existem pois infelizmente é isso que vivemos.
    Quando falou que o autor faleceu tive que ler duas vezes, achei que estava dando um mega spoiller e não acreditei. HUahuahuahau.
    Adorei a resenha Bjus Rafa

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  8. Oiiii Ju tudo bem?
    Eu fiquei apaixonada pelo livro, principalmente sobre o envelhecer que poucos livros abordam esse assunto e tema, dica anotada e quero conhecer cada partezinha e os personagens.
    Beijinhos

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  9. Olá!
    Que interessante a forma como os diálogos são apresentados. Ao contrário de você, eu acho que eu ficaria um pouco perdida hahaha.
    Gostei da premissa da história, gosto de relatos assim delicados sz
    Beijos

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  10. Oi Ju! Fiquei confusa com esta falta de travessões nos diálogos. Confesso que mesmo com as aspas eu particularmente já não gosto muito, e agora sem nada para orientar, fico meio assim.
    Bjs, Rose

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  11. Oie amore,

    Não conhcia esse livro até o momento...
    Sou que nem você, ás vezes me encanto com algo na capa e acabo por passar o livro na frente de uma fila enorme de livros pra ler, normal isso.
    Só esse tal final que não te agradou que não me atraiu muito, mas... não vou julgar enquanto não ler.

    Beijoka!

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  12. Já tinha visto a capa e gostado da história. Já está na minha lista, depois dessa resenha então... Queroooo ler... Gostei de tudo. Obrigada pela dica.

    Nara Dias
    www.viagensdepapel.com

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  13. Oi!
    Não conhecia o autor e nem a obra mas fiquei encantada com a premissa do livro, mesmo com o desfecho não tão agradável.Já li outras obras em que as falas eram apresentadas dessa forma e confesso que apesar de estranhar não senti dificuldades na leitura.
    Beijos!

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  14. Ola
    Parece ser um livro muito bom. Gostei muito da sua resenha .
    Mesmo esse recurso usado pelo autor na escrita causar um certo estranhamento, é secundário , pelo que vc destaca de bom em sua resenha :)
    Bjs

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  15. vizinhos fofoqueiros estão por toda parte, rs. Amei a premissa, abordar a velhice assim, cheia de vida, chega a ser tocante. Com certeza leria. Vou anotar pra não esquecer o título.
    Beijos

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  16. Oi Ju, tudo bem?
    Nunca ouvi falar desse livro. Ah, mas bem acontece de vermos algo no livro que bate aquela vontade de ler e o passamos a frente. E sim, claro que sempre vai haver personagens secundários só para estragar a felicidade, a nossa e a dos protagonista rs. Acho meio estranho diálogos sem travessão, mas se isso não estragar como não estragou pra você menos mal né.
    Fazia séculos que não passava aqui, mas também acabei me afastando um pouco do blog. Mas espero estar de volta desta vez rs.

    Até mais!
    Beijos

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  17. Olá!
    Não conhecia o livro e gostei da premissa, bem diferente dos romances que ando lendo ou li, relacionamentos na velhice são sempre julgados, acho que as pessoas esquecem que ficarão velhas e mesmo assim são capazes de amar, e odeio esses fofoqueiros de plantão que de metem na vida e felicidade alheia. Gostei de conhecer o livro e a história.

    Beijos!
    http://blogdatahis.blogspot.com.br/

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  18. Nunca tinha ouvido falar desse livro e parece uma leitura bem agradável, apesar do tema. Achei ele bem verdadeiro com essa coisa do julgamento e tal. A gente se incomoda sim, mas é o que acontece. Gostei. Vou ver mais.

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