Título: Ensaio sobre a cegueira
Autor: José Saramago
Editora: Companhia das Letras
Sinopse: Um motorista, parado no sinal, subitamente se descobre cego. É o primeiro caso de uma "treva branca" que logo se espalha incontrolavelmente. Resguardados em quarentena, os cegos vão se descobrir reduzidos à essência humana, numa verdadeira viagem às trevas. O Ensaio sobre a cegueira é a fantasia de um autor que nos faz lembrar "a responsabilidade de ter olhos quando os outros os perderam". José Saramago nos dá, aqui, uma imagem aterradora e comovente de tempos sombrios, à beira de um novo milênio, impondo-se à companhia dos maiores visionários modernos, como Franz Kafka e Elias Canetti. Cada leitor viverá uma experiência imaginativa única. Num ponto onde se cruzam literatura e sabedoria, José Saramago nos obriga a parar, fechar os olhos e ver. Recuperar a lucidez, resgatar o afeto: essas são as tarefas do escritor e de cada leitor, face à pressão dos tempos e ao que se perdeu - "uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos". (retirada da contracapa do livro)
Vocês sabem que eu não tenho nenhuma formação em literatura. Acredito que, no caso específico de falar sobre esse livro, tal formação seria útil. Claro, eu poderia pesquisar sobre Saramago na internet antes de fazer a resenha. Mas não é essa a proposta do blog. Gosto de falar simplesmente da minha experiência como leitora, e dessa vez não será diferente.
Estranhei bastante a estrutura do livro no início. O autor usa a pontuação de um modo peculiar. Diálogos, às vezes diálogos longos, são colocados no meio dos parágrafos e só contam com vírgulas para separá-los - as vírgulas são colocadas tanto no meio da frase de uma personagem, quanto para separar a fala de uma pessoa e de outra. Levei um certo tempo para me habituar, e claro que essa estrutura demanda mais atenção que o normal na leitura, mas no fim deu tudo certo, e eu consegui ler como se houvesse travessões.