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segunda-feira, 28 de julho de 2014

[Resenha - Editora Record] Olympe de Gouges

Postado por Ju às 22:30 14 comentários
Título: Olympe de Gouges
Ilustração: Catel Muller
Texto: José-Louis Bocquet
Lettering original: Jean-Luc Ruault
Tradução: André Telles
Editora: Record
Leia um trecho (proibido para menores! rs) | Skoob

Em Montauban de 1748, nasce Marie Gouze, criada sob as convenções da França setecentista. Aos 18 anos, mãe e viúva, se vê livre para expressar suas ideias e adota o pseudônimo Olympe de Gouges. Anos depois se muda para Paris, onde participará ativamente da vida política e cultural. Fiel leitora de Rousseau, inspiradas pelas ideias libertárias da França pré-revolucionária, Olympe se dedica intensamente à escrita – atividade que levaria até os últimos dias de sua vida e que a causaria muitos problemas. Conquistou inimizades e escandalizou os mais conservadores, porém jamais deixou de defender seus ideais feministas e libertários. Em 1791, redigiu a Declaração dos direitos da mulher e da cidadã, reivindicando a igualdade entre os sexos e o direito ao voto. Com muita beleza, esta graphic novel conta a trajetória de uma mulher forte e corajosa que carimbou seu nome na história da Revolução Francesa. Dos consagrados quadrinistas José-Louis Bocquet e Catel Muller, a HQ retrata através de belos traços os incríveis cenários e personalidades da França do século XVIII.

Este livro une duas coisas que realmente não são o meu forte: ele é uma biografia em forma de HQ. Mas gosto de sair da minha zona de conforto às vezes e, apesar de nunca ter ouvido falar no livro ou na pessoa retratada nele antes de vê-lo entre as novidades da Galera (e talvez justamente por isso), decidi ler. Achei que uma mulher com a história de vida citada na sinopse merecia ser conhecida.

Marie Gouze nasceu em 1748. Apesar de sua mãe estar casada quando engravidou, ela era fruto de seu relacionamento com outro homem - ou seja, uma bastarda. Apesar disso, durante seus primeiros anos de vida conviveu de perto com o pai biológico, mas em determinado momento isso foi tirado dela. Desde bem pequena já questionava coisas que considerava erradas, como a existência dos escravos. Na verdade, ela nem sabia que escravos existiam, até que, ao mostrar uma mulher negra a quem lhe acompanhava, precisou participar do seguinte diálogo:

- Bem ali, uma dama... Ela é toda preta! Quem é?

- Não é um ser humano. 
- É um animal?
- Tampouco é um animal.
- Não é nem uma criatura de Deus, como o leitão? 
- Não é NADA. Então, não se preocupe com isso.
 

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