Título: Neve na Primavera
Autora: Sarah Jio
Tradução: Rafael Gustavo Spigel
Editora: Novo Conceito
Seattle, 1933. Vera Ray dá um beijo no pequeno Daniel e, mesmo contrariada, sai para trabalhar. Ela odeia o turno da noite, mas o emprego de camareira no hotel garante o sustento de seu filho. Na manhã seguinte, o dia 2 de maio, uma nevasca desaba sobre a cidade. Vera se apressa para chegar em casa antes de Daniel acordar, mas encontra vazia a cama do menino. O ursinho de pelúcia está jogado na rua, esquecido sobre a neve. Na Seattle do nosso tempo, a repórter Claire Aldridge é despertada por uma tempestade de neve fora de época. O dia é 2 de maio. Designada para escrever sobre esse fenômeno, que acontece pela segunda vez em setenta anos, Claire se interessa pelo caso do desaparecimento de Daniel Ray, que permanece sem solução, e promete a si mesma chegar à verdade. Ela descobrirá, também, que está mais próxima de Vera do que imaginava.
Seattle, 2 de maio de 2010.
Claire Aldridge se surpreende ao acordar e deparar-se com uma nevasca. É o fim da primavera, e ela nunca pensou que veria neve àquela altura. Mas o dia ainda lhe reservava mais surpresas: recebe uma ligação de seu chefe deslumbrado com a coincidência de ter nevado naquela forma há exatos 77 anos: no dia 2 de maio de 1933 (vamos relevar que no livro fizeram a conta errada). Ela é jornalista, e ele a incube de encontrar uma história que lhe permita falar sobre as duas tempestades de neve: a de muito tempo tempo atrás e a que está atingindo a cidade naquele momento. Claire acha realmente uma ideia idiota, até que uma história a encontra.
Seattle, 2 de maio de 1933.
Antes do amanhecer, Vera Ray chega exausta do trabalho, com o coração partido por ter deixado o filho sozinho em casa. Mas ela mal tem dinheiro para o básico, e ao tentar levá-lo para o trabalho na semana anterior foi ameaçada de demissão por sua chefe. Precisa desesperadamente pagar seu aluguel, pois não consegue nem imaginar a possibilidade de seu filhinho de três anos, Daniel, não ter um teto para morar. Mas logo percebe que ele não está onde ela o deixou e, ao sair desesperada pelas redondezas para procurá-lo, encontra o ursinho do menino caído de cara na neve. Ao procurar a polícia, simplesmente escuta que o garoto fugiu e vai voltar quando estiver com fome.
A história de 1933 está estampada muito superficialmente em um jornal da época, e comove Claire completamente. Há pouco menos de um ano, ela perdeu seu filho. Então decide que não medirá esforços para descobrir o que aconteceu com essa criança.






