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quinta-feira, 24 de julho de 2014

[Resenha - Geração Editorial] A Perfeita Ordem das Coisas

Postado por Ju às 22:00 15 comentários
Título: A Perfeita Ordem das Coisas
Autor: David Gilmour
Tradução: Cecília Prada
Geração Editorial (Selo Jardim dos Livros)

Há coisas que só podem ser compreendidas quando vividas uma segunda vez… Um escritor parte numa viagem rumo ao próprio passado. Ele vagueia pelas ruas de Paris, de Toronto, de uma cidadezinha praiana da Jamaica. Lá, estão o internato, uma roda-gigante girando na noite; uma casinha de campo caindo aos pedaços, lugares onde foi feliz e triste, na maioria das vezes desesperado, buscando um sentido para sua vida. Ele reencontra as pessoas, as conversas, os sonhos e as paixões, memórias que tinham se perdido no tempo e agora voltavam para que ele as visse com novos olhos, estes bem abertos para o que não conseguiu enxergar quando as viveu pela primeira vez. 

Quando vi esse livro entre os lançamentos da Geração, fiquei louca para ler. Adorei a capa, e a sinopse me atraiu muito. Infelizmente, a leitura me decepcionou bastante. 

Não sei nem dizer para vocês em que gênero ele se encaixa. Eu esperava um romance (é a classificação oficial dele), mas já no início da leitura comecei a duvidar que estava lendo algo do tipo. Ao terminar, fui ler as orelhas e, logo no início do texto escolhido para elas, é dito que o escritor retratado seria o alter ego de David Gilmour, o autor. Isso veio um pouco de encontro com a impressão que tive, de estar lendo uma autobiografia. E uma que não me interessava.

Sinto que não consegui compreender o livro. Para mim, de A Perfeita Ordem das Coisas não tem nada, vi a narrativa como histórias aleatórias. Todas elas têm um objetivo, claro. Tudo começa com o escritor visitando Toulouse quase que por acidente, e se lembrando do tempo em que viveu na cidade. Ao repetir o trajeto que fez por vários meses, acabou descobrindo que se tivesse dado apenas alguns passos em outra direção teria encontrado um rio de aproximadamente oitocentos metros de largura. Ele acaba, então, se questionando: o que mais teria perdido?

Foi assim que nos meses seguintes (uma coisa bem gradual, eu me lembro) decidi, quase como quem tem vontade de pagar um débito pessoal, um débito para comigo mesmo, voltar para outros lugares onde havia sofrido, mas dessa vez com os olhos bem abertos e, o que é mais importante, voltados para o mundo exterior. Voltar e ver, fosse o que fosse.
 

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